quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


JORNAIS REGIONAIS?

Por Simone Santos


Como caracterizar um jornal, um periódico, como regional? Essa definição, um tanto crua, nos oferece a nomenclatura, e quem sabe as ferramentas, para podermos entender sobre o jornal que lemos em nossa cidade, e até mesmo sobre quem o lê junto conosco (ainda que espacialmente separado).

O jornal impresso foi o meio de comunicação pioneiro da nossa região e seu papel de falar do nosso dia-a-dia, do que está mais próximo das pessoas daqui, só aumenta a sua importância na nossa representação. Mas será que, de fato, essa representação existe? E qual seria ela? Esses aspectos aguçaram a minha curiosidade, especialmente sobre os jornais que circulam na região e que têm sede em Itabuna e Ilhéus.
Ao analisar alguns jornais impressos da região, seu aspecto gráfico, até mesmo sua tiragem, percebi que a nomenclatura regional não se aplicasse a maioria deles, talvez todos. 

As reportagens e as colunas abordam quase que exclusivamente às sociedades do município sede desses jornais. Pela tiragem, por exemplo, somente um dos cinco jornais impressos que existem nas cidades citadas apresentam o número dos exemplares, cerca de cinco mil. Os outros não se atreveram a informar, em sua página, ou não quiseram. Esse número, tomado por base, serviria para uma região? Só essa tiragem não daria conta nem mesmo das cidades sede desses veículos.

Os jornais que circulam na região não conseguem mostrar de maneira sistemática aspectos dessas sociedades, priorizando notícias relativas a fatos policiais e press releases das prefeituras. Essas instituições municipais têm uma forte ligação comercial com esses veículos, os quais servem unicamente para divulgação de ações positivas aos governos atuais.
Esse é o tipo de informação que contempla a sociedade regional? Textos pré-editados nas assessorias, informações que em nada acrescentam na vida do cidadão comum? O que se pode perceber é que a região, em si, não é contemplada com pautas que façam com que ela se reconheça. 

O universo abordado não é tão amplo como o que se pensa: apesar de importantíssimas comercialmente, Ilhéus e Itabuna NÃO SÃO a região inteira e sua influência chega a apagar da memória jornalística a presença de outros municípios, suas histórias e culturas nos jornais. Nós “lemos” Itabuna e Ilhéus, não uma região.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Até breve, Fátima!

A jornalista passou a bancada do JN à colega Patrícia Poeta
Por Genisson Santos

Depois de praticamente crescer vendo e ouvindo o “boa noite” do casal número 1 do telejornalismo brasileiro, uma “separação” (não conjugal, mas de bancada) quebrou essa tradição, que já durava 14 anos. O sentimento é de uma espécie de perda; de que algo está faltando. 

A jornalista e apresentadora do Jornal Nacional, Globo, Fátima Bernardes se despediu nesta segunda-feira (5), da bancada do diário para se dedicar a um projeto pessoal. Vai apresentar um novo programa, ainda mantido sob segredo de justiça por ela e pela cúpula da TV Globo. Com certeza com o objetivo de aumentar ainda mais a curiosidade do público, que se perguntou: “como assim?”, ao ouvir na sexta-feira (2), da própria jornalista, que iria deixar o jornal. 

E para onde irá a mãe de tantos brasileiros e brasileiras? 

Maternal. Este era o sentimento, até então passado pelo Jornal Nacional, ao entrar nas casas das pessoas na figura de um casal que parece, realmente, ter nascido um para o outro. Sintonizados até na profissão. Agora ela se vai. 

Mas, como toda mãe cuidadosa, deixou tudo arrumado para que a casa continue em ordem. E, em um papo de comadres, quase nunca antes visto na história do JN -- tão preso ao formalismo e seriedade --, passou o posto (ou a cadeira) à também competente Patrícia Poeta. Mas aqui pra nós, o sentimento de ausência persiste. Afinal, como diria o pequeno aí ao lado, “não é a mamãe, não é a mamãe!”.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Mosaico baiano ou soteropolitano?

Por Luise Beatriz Bispo

Criado com o propósito de ser de fato um mosaico de noticias referentes à cultura baiana como um todo, o programa Mosaico Baiano entrou no ar no dia 07 de julho de 2007, sendo exibido aos sábados no horário das 14:00h pela Rede Bahia, afiliada da Rede Globo com a apresentação de Alessandro Timbó. O programa é caracterizado pela linda do entretenimento, com uma linguagem jovem que é proposta através das edições, da sua forma de apresentação e que tem como foco a cultura da Bahia. O programa objetiva mostrar tudo o que diz respeito a filmes, música, jeitos de vestir e falar, peças teatrais e sobre a culinária da Bahia.

Alessandro Timbó - apresentador
Inicialmente, o Mosaico começou sendo apresentado apenas em estúdio, com um cenário que lembrava uma praça, justamente para fazer uma alusão de espaço amplo, de cidade. Posteriormente o apresentador passou a ir para as ruas e fazer a apresentação a cada sábado de um ponto turístico diferente de Salvador. Além da câmera principal, há a gravação de uma câmera secundaria que funciona como gravação de making-of que também é veiculado. Há uma mescla das imagens da câmera principal e da secundaria a todo o tempo. 

Apesar de o programa ser simples e de qualidade, a problemática em questão é justamente que não são mostradas a todo o tempo características de toda a Bahia e sim da cidade de Salvador e sua região metropolitana. As demais regiões baianas têm certa dificuldade de identificar-se com as noticias transmitidas, justamente porque não falam da sua região, da sua cidade, e sim, fazem referencia a capital. Isso causa um distanciamento, pois de acordo com o titulo do programa seria necessária abordar toda a Bahia, uma vez que o estado não se resume apenas à capital. 

Por isso a pergunta que ecoa é: Mosaico baiano ou soteropolitano? O objetivo é mostrar o que se passa na cultura da Bahia ou da cidade de Salvador? O único quadro que divulga os shows no interior do estado é “Tá rolando na cidade”, que como o titulo mesmo diz, inicialmente era apenas para divulgar os eventos ocorridos na cidade de Salvador, e depois passou a falar também de outras localidades, apesar de manter o mesmo nome. 

É um programa de fato feito com excelência, mas o mosaico proposto de fato só se dá a respeito de música, culinária, cinema na e da cidade de Salvador - e não das diferentes formas do baiano, a depender da sua região, de se comportar, pensar, se alimentar e vestir, que apesar ser dentro do mesmo estado tem sim as sua particularidades, e precisa ser mostrada, para que os baianos possam assistir a uma programação da Bahia e não somente de Salvador.