JORNAIS REGIONAIS?
Por Simone Santos
Como caracterizar um jornal, um
periódico, como regional? Essa definição, um tanto crua, nos oferece a
nomenclatura, e quem sabe as ferramentas, para podermos entender sobre o jornal
que lemos em nossa cidade, e até mesmo sobre quem o lê junto conosco (ainda que
espacialmente separado).
O jornal impresso foi o meio de
comunicação pioneiro da nossa região e seu papel de falar do nosso dia-a-dia,
do que está mais próximo das pessoas daqui, só aumenta a sua importância na
nossa representação. Mas será que, de fato, essa representação existe? E qual
seria ela? Esses aspectos aguçaram a minha curiosidade, especialmente sobre os
jornais que circulam na região e que têm sede em Itabuna e Ilhéus.
Ao analisar alguns jornais
impressos da região, seu aspecto gráfico, até mesmo sua tiragem, percebi que a
nomenclatura regional não se aplicasse a maioria deles, talvez todos.
As
reportagens e as colunas abordam quase que exclusivamente às sociedades do
município sede desses jornais. Pela tiragem, por exemplo, somente um dos cinco
jornais impressos que existem nas cidades citadas apresentam o número dos
exemplares, cerca de cinco mil. Os outros não se atreveram a informar, em sua
página, ou não quiseram. Esse número, tomado por base, serviria para uma região?
Só essa tiragem não daria conta nem mesmo das cidades sede desses veículos.
Esse é o tipo de informação que
contempla a sociedade regional? Textos pré-editados nas assessorias,
informações que em nada acrescentam na vida do cidadão comum? O que se pode
perceber é que a região, em si, não é contemplada com pautas que façam com que
ela se reconheça.
O universo abordado não é tão amplo como o que se pensa:
apesar de importantíssimas comercialmente, Ilhéus e Itabuna NÃO SÃO a região
inteira e sua influência chega a apagar da memória jornalística a presença de
outros municípios, suas histórias e culturas nos jornais. Nós “lemos” Itabuna e
Ilhéus, não uma região.

